terça-feira, 12 de setembro de 2017

Parece que nem só de fracassos vive a Any

Olá minhas queridas magrelas 💫
Como vocês estão?

Fiquei bem triste esses dias que tirei para visitar seus blogs e bem, eles não eram muitos. Sinto tanta falta das dezenas de blogs que eu tinha pra visitar lá em meados de 2011. Sinto falta de vocês ❤

Hoje não tem poema, nem uma bela escrita. Só tem eu tentando me justificar e explicar o que se passava comigo durante todo esse tempo.

Preciso lhes dizer que meu coração está machucado, despedaçado, e que meu desejo mais profundo - do fundo da alma mesmo - é pelo menos ter meus 58kg de volta.

Nesses últimos meses afastada do blogger, com a meta de sair da casa dos 70, eu acabei entrando na cara dos 80. Eis meu maior peso: 83,2kg. Bah. Eu não acreditei quando eu subi naquela balança. Isso faz umas 3 semanas. Não tenho fotos, nem vestígios. Só a lembrança da dor aguda que senti naquele instante.

A história de como engordei é conhecida por todas ou quase todas aqui. Em 2016 blá blá blá, minha formatura no ensino médio integrado ao técnico blá blá blá pressão blá blá blá Enem blá blá blá estágio blá blá blá decidir o curso da faculdade blá blá blá brigas com minha mãe blá blá blá crise financeira blá blá blá primeiro emprego blá blá blá pedido de demissão blá blá blá tentativas vãs de ser um êxito na universidade blá blá blá abstinência de Franol blá blá blá queda do cabelo blá blá blá muita ansiedade. Resultado= mais de 26kg em 1 ano e meio. Coração esmagado pela banha. Não é desculpa, é claro.

Ansiedade é uma droga. Ela faz qualquer coisa ser razão para comer. Tristeza, felicidade, angústia, raiva, tédio... Tudo é motivo pra encher a pança sem pensar no amanhã. Além de me deixar incapaz de fazer tarefas simples, como os trabalhos da faculdade e também me levar o sono. Por isso procurei um psicólogo, fui na federal daqui, lá eles têm uma clínica que atende a comunidade. Estou na lista de espera, tomara que me chamem logo. Minhas amigas anas me falaram que seria melhor um psiquiatra, mas não quero chamar atenção sobre o assunto na família, até optei por procurar uma psicoterapia grátis para não pedir dinheiro para ninguém.

Nesse ano não houve um só dia em que eu tenha desistido de emagrecer. Houveram muitos dias que eu estive anestesiada, atônita. Houveram dias também que cheguei a ponderar sobre aceitação, mas não, essa ideia não se sustentou por muitos minutos na minha cabeça. Estou com a ana e não abro. Quantas vezes cair eu levanto.

Foi numa dessas tentativas que enfim tive algum êxito. O post vai ficar longo, mas é típico da Any não é? rsrs
Semana passada eu vinha tentando e fracassando como fiz durante todo o ano. Estava angustiada porque iria voltar ainda mais gorda das férias (minhas férias foram do dia 20/08 até 10/09). Essa semana minha mãe me disse coisas horríveis e cruéis. Era obrigada a sair de casa para deixar minha filha na escola, e eu não queria ver gente, não queria tirar minhas roupas rasgadas e folgadas de casa, não queria ser vista, nem levantar da cama. Não queria banhar, lavar o cabelo, escovar os dentes, depilar, nada, nem o básico. Sofri com a quintura durante toda a semana. Meu rosto queimava, minha boca rachou, parecia que eu tinha esfregado cara na areia. Aqui é quente normalmente, mas aquelas sensações não eram normais. Numa noite fiz um barraco com meu marido porque ele não queira apagar a luz, eu fui muito grossa, quase bati nele. Minhas alterações de humor estavam muito repentinas e eu já não conseguia ter noção da hora de parar.
Ele me perguntava o que estava acontecendo, mas eu não sabia como explicar. Chegamos a um ponto em que eu desabei a chorar. Um choro doloroso, um pedido de socorro. A dor era inexplicável! Doía tanto que eu me encolhia, tudo estava embaçado, e a cama parecia me engolir. Ele me abraçou e tentou me ajudar, disse que não ia me deixar comer muito, que ia comprar Franol para mim. Fez um chá de erva cidreira, então eu consegui falar. Lhe contei como me sentia. Como eu me odiava e odiava ficar com fome. Ele me fez mil promessas e agora repete constantemente "olha a dieta" "você não quer ser magra?" "vai valer a pena" HSUSHSUSHAUSHAUS parece uma versão troncuda da ana.
No dia seguinte a crise eu adoeci. Nasceram milhares de aftas nas minhas amígdalas, elas infeccionaram e eu fiquei muito fodida. Vi que as aftas decorrem do estresse. Acho que cheguei a um nível a qual nunca tinha atingido. Eu tinha chegado no fundo do poço e cavado mais um pouco.
Fui medicada e com alguma melhora, depois de uma compulsão na noite da quinta feira, entrei em NF as 22:30h. Esse NF durou 86h em média. A meta era 72h. Contei oficialmente das 00:00h de quinta para sexta até às 00:00h de domingo para segunda. A última vez em que havia comido era por volta das 22:00h da quinta feira e quebrei o NF as 12:00h da segunda feira com uma fatia de melancia. Me senti tão bem! Ontem, então, foram 500 calorias. Escolhi um plano calórico para seguir durante a semana. Estou conseguindo essas coisas sem nenhum remédio, nada de Franol, Aminofilina ou Aerolin, nem laxantes e diuréticos. Tudo por mim e eu estou tão orgulhosa! Apesar de querer ter estendido o NF, a minha família já estava sacando e a situação vinha pegando ar, então decidi seguir o plano de lf's e nf's alternados. Meu cardápio de ontem:

📌 LIMITE 📌

- 500 calorias


🍉 DESJEJUM 🍉

•Fatia de melancia (35)


🍽 ALMOÇO 🍽

•1 ovo cozido (66)
•3 colheres de sopa de feijão carioca (117)
•2 gordas colheres de sopa de cenoura ralada (9)


Tp1= 192


🍽 JANTAR 🍽

•1 ovo cozido (66)
•2 colheres de sopa de arroz branco (88)
•2 colher de sopa de feijão carioca (78)
•120ml suco de acerola natural sem açúcar (11)

Tp2= 204

📍 TT= 470 📍

Hoje serão 500 novamente.

📌 LIMITE 📌
✓500 calorias


🍉 DESJEJUM 12:00 🍉

•Fatia fina de melancia (35)

🍽 ALMOÇO 14:00 🍽
•Omelete de sardinha: (173)
-1 ovo
-1 col sop de cenoura ralada
-1 col sop de sardinha
-1 col sop de cheiro verde
-1 col sop de tomate picado
-1 col sop de cebola picada
-molho de pimenta
• 2 colheres de sopa de feijão carioca (78)
• 120ml suco de acerola natural sem açúcar (11)

Tp= 261

🍎 LANCHE 17:00 🍎

•240ml suco de acerola natural sem açúcar (22)

🍽 JANTAR 22:00 🍽

•Ovo cozido (66)
•2 colheres de sopa de tomate picado (8)
•2 colheres de sopa de feijão carioca (78)
•120ml de suco de acerola natural sem açúcar (11)

Tp= 163

📍 TT= 481 📍

E pensar que eu estava comendo não sei quantas mil calorias a pouco tempo atrás. Minha barriga já deu diferença. Agora sim!
Espero que a força continue, e que logo eu possa trazer bons resultados pra vocês.

Tenho um milhão de coisas pra escrever: pensamentos, metas, sonhos, devaneios, experiências e sensações. Mas não irei mais alugá-las. Agradeço as que chegaram até aqui.

Saibam que vocês me sustentam junto com as meninas do grupo no whatsapp. Quem quiser entrar manda o número no meu e-mail dorpassaculpanao@gmail.com ou deixa nos comentários.


Obrigada Magrelas ❤
De verdade...
É maravilhoso ter vocês!

domingo, 3 de setembro de 2017

Parece que eu voltei


Quando foi que eu me perdi de mim? Quando foi que deixei se esvair minha doce essência?

Há um buraco em meu peito onde cabe um universo inteiro! Um universo de preconceitos e comentários espinhosos. Um universo de espelhos quebrados e de jeans apertados. Neste universo há uma infinita lista de defeitos meus, defeitos que eu insisto em preservar.

E aquilo de ser perfeita? E aquela história de ser a melhor sempre?

Já não consigo sequer olhar-me no espelho. Meu portal para o mágico mundo da força. O universo paralelo onde eu buscava o amparo dela, onde eu podia renovar as energias e voltar ao foco.

Hoje tudo que vejo Através do Espelho é o quanto fracassei, o quanto me afastei dos objetivos e como não existe mais jeito para mim.

Hoje tudo é calor e agonia. Tudo cheira mal, é pesado e gorduroso.

Sinto falta daquele abraço vazio, do arrepio na espinha. Sinto falta do amargo na boca e da dor avassaladoramente aconchegante.

Não suporto mais estar longe daqui. Quando não posso escrever me parece que me arrancaram um braço. Eu preciso lhes pedir socorro. Preciso enfrentar a vergonha do fracasso de não cumprir a promessa. Mas já não aguento estar longe.

Fico vagando pela vida, sem rumo, sem pretensões. Não há objetivo pelo qual lutar porque estou gorda. E ser magra é o que mais importa, ser magra é meu maior sonho. É tudo que eu sempre quis.

Quero desvencilhar-me das grossas correntes que me prendem a essas condições inumanas.

A vida não é isto!

Preciso sentir novamente o cheiro da Ana, seu sabor blue. Preciso sentir seus dedos gélidos fazendo meu coração pulsar, seu abraço mórbido ridiculamente fraco.

Não sou mais Ana. Não sou digna dela. Mas tornarei a ser. Uma verdadeira Ana.

Tenho sido assombrada de muitas formas... Pela presença constante da comida em minha vida, algo que tenho consciência de que deveria ser natural ou até causar extrema gratidão - visto os tempos difíceis pelos quais passamos - mas eu simplesmente temo o fato de que enquanto houver comida na minha frente eu comerei como se não houvesse​ amanhã. Temo também meus reflexos, em todas as superfícies em que são produzidos, eu estou lá, espaçosa, roliça, robusta. Tenho sido assombrada pela falta do que vestir pois, os tecidos se recusam a ceder, os botões se recusam a fechar e o preto já não esconde o que eu quero que não vejam. O pior dos pesadelos é olhar antigas fotos e já não ter certeza de que era eu mesma ali, magra - talvez não tão magra como queria, mas ainda assim magra. É assombroso já quase não lembrar daquela sensação e pegar-se indagando a si mesma sobre a sensação de ser leve e vazia.
A tanto tempo já não sou leve e vazia. Eu me perdi de mim mesma e já não reconheço essa imagem que se diz projetada de mim. Você me entende? Você sabe o que quero dizer? Eu sei que sabe...

Faz falta o frio... Os calafrios...
Faz falta a tontura, que invocava a risada mais sombria...
Faz falta tremer tanto que as fotos ficavam sempre embaçadas...
Faz falta sentir o duro dos ossos sobressalentes a brilhar sombriamente à luz débil do anoitecer...
Faz falta sentir a dor reconfortante da fome, que te faz forte e pura...

Faz falta! Eu sinto tanta falta...

Todos os dias penso em recuperar minha sensações, minha essência perdida. Todos os dias tento me livrar desse vício doentio de comer cada vez mais e ficar cada vez maior. Já não suporto o olhar das pessoas me questionando o que aconteceu. Não entendo como conseguem simplesmente comer, como se fosse natural, como se não houvessem consequências. Como fazem? Alguém me explica.

A comida é meu demônio. Me enfraquece, me escraviza. Me lesa, machuca, destrói, desmonta. Não não não! Eu preciso​ me livrar desse vício doentio.

Hoje recomecei mais uma vez, mas nem de longe parece tão agradável como era antes. Pelo contrário. O jejum está causando em mim dores de cabeça terríveis, não consigo sentir​ prazer com elas. As tonturas não são legais, a fome está me matando, sinto sono e vontade de chorar. Me sinto ridícula e fraca. Mas sei muito bem que devo continuar, porque vai valer. Tem que valer.

É aí que mora o segredo. Nas primeiras semanas vai ser extremamente desconfortável. Você vai desanimar, vai achar que tudo está perdido e não vale a pena. Somente quando vir os resultados a dor ganhará ​sentido, e só então sua força retornará gradualmente. E de novo o ciclo vital se inicia.

E volta o ar gélido que te abraça a cada pensamento. Volta o cheiro de canela e água do mar que te conduzem para o objetivo. Volta a pulsação do teu coração que intensifica cada movimento teu.

Eu anseio por ter meu controle de volta.

Eu preciso tê-lo.



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terça-feira, 11 de julho de 2017

Três palavrinhas


A ridicularidade do meu ser insiste que tenho que expor minha decadência frente ao mundo de pessoas falsas e cheias de si.
Fui ao cinema e postei uma foto onde abraço meu esposo por trás ao lado do poster de um lançamento. Pobre eu, achando que poderia ser normal... Vieram me perguntar por que estou tão gorda, o que eu fiz para engordar tanto. RIDÍCULA que sou.
Mas esse não é o motivo de eu vir aqui. Eu sinto saudades, muita saudade. Mas não posso me dar ao luxo. Me privar de escrever é como perder parte de mim, e é exatamente a sensação de insatisfação que eu quero provocar. Só voltarei a escrever quando tiver menos 10kg. Hoje pesei 79,1kg, só voltarei aqui quando tiver 68,5kg no mínimo, dando esse espaço de 600g para ter certeza do meu peso. Receio que quando eu voltar serei uma analfabeta, afinal foi a falta de prática que me levou o dom de desenhar. Desenhar meus croquis será meu presente de menos 15kg. Com menos 20kg talvez eu pinte o cabelo... Não sei.
A questão é que eu deixei esse blog sem metas e perspectivas, e não é esse o objetivo. Sem metas traçadas não chegamos a lugar algum. Então vocês serão meu presente quando eu conseguir me livrar de um terço dessa banha ridícula. Obrigada por estarem aqui, por me ajudarem. Eu leio cada comentário com muito amor. Vocês alimentam minha alma vazia.
Bom, já escrevi demais, deveriam ser apenas três linhas.

Amo vocês ❤


LEMBREM-SE:

O vazio é bom. O vazio é forte.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

(...) Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil. - Quem é você Alasca?

 Como eu estou?


Aaaah cremosas e cremosos... A merda tá feia. Me sinto anestesiada. Não consigo tomar atitudes.

O plano deu certo, em uma semana e meia foram quase 5kg. Só que depois levei esporro da minha mãe por que tinha a chance de eu estar grávida. Então parei a dieta, e desde então como como se não houvesse amanhã.

Voltei ao peso inicial. Sorte minha. Do jeito que estou comendo já deveria ter explodido.
Mas Any, por que não para então?
Como? Me digam como? Se tenho um buraco negro no meu peito que ataca direto meu estômago. É como se comida fosse a única forma de preencher. Eu sinto tristeza​ e raiva, mas não sei porquê. Não consigo discernir o motivo.


O único momento de paz que tenho é quando leio meus romances...


E é por isso que eu sumi. Estou postando pelo Wi-Fi do trabalho. Não tenho créditos​ no celular, e nem grana pra colocar. Mas o pior: não tenho vontade de escrever nem de ler o blog. Só estou aqui porque pediram, e vocês​ merecem mais de mim. Vocês​ merecem mais que isso.


Não tem 10kg a menos, e nem tem Any, Allissa, ou seja lá o que ela se chama, por um bom tempo.

Porque gorda ela não é nada. E é isso que ela é agora.

Alissa e sua mania de terceira pessoa 🙄


P.s.: exame de sangue deu negativo, junto com mais quatro negativos dos testes de farmácia. Mas a menstruação não desce. Um mês de atraso hoje.

quinta-feira, 30 de março de 2017

A vida é um desgaste da alma 🍃


Posso vê-la, como se estivesse acima de seu corpo. Ela tem longas unhas lilases grudadas aos dedos. Um sorriso morto na cara, um coração parado no peito. Com o indicador começa a incisão, da esquerda para direita, suave e doloroso - precisou afiar muito estas unhas para tal feito. Terminando o corte, é necessário retirar, extrair, jogar fora tudo o que a mantém cheia. Metros de intestino, fígado, pâncreas, rins, estômago! Ah estômago... Maldito estômago. Este, ela faz questão de estraçalhar com as​ próprias​ mãos. Retirados os excessos, é hora de limpar, purificar e isolar o local. Álcool e água fria. Agulha em uma mão, arames na outra. Costura, costura, costura. Não há mais volume. Ela abriria um sorriso de satisfação se pudesse. Mas a também boca foi isolada, anteriormente​ ao arrancar a lingua.
A carne dormente, já habituada a dor, lateja. Os famintos olhos - não mais de matéria - observam com cautela a crescente putrefação dos órgãos já não tão vitais assim.
Ela decidiu​ manter o coração no peito, e o cérebro raciocinando dentro do crânio. Pois o último sabe contar calorias e a faz enxergar suas dimensões, e o primeiro mantém a dor constante, e é isso que a fortalece.


Ela é acordada por uma​ vontade súbita de respirar, como se alguém estivesse segurando sua cabeça debaixo d'água. Lembra-se de relance da incômoda cena de automutilação frente ao espelho. Mas foi apenas um sonho. Olha no celular, quase 07:00 h da manhã. Levanta-se, asseia-se, veste-se. Mecânicamente como de costume. No trajeto até o trabalho ela imagina morrer de mil formas:

• O ônibus vai bater, capotar três vezes e quando parar ela terá uma barra de ferro atravessando suas costelas.
• Um assaltante lhe pedirá a bolsa, ela correrá e ele a alvejará com três tiros certeiros, dois nas costas e um na cabeça. O da cabeça foi de raspão. Ela morre com os pulmões perfurados,​ afogada em seu próprio sangue.

• Ela decide tomar chá no caminho ao trabalho. É uma nova erva, da qual não havia experimentado. Cinco minutos depois sua glote está fechada e já é impossível respirar. Uma​ infeliz e fatal alergia.

• Quando desce da condução uma moeda cai no chão e desestabiliza o equilíbrio terrestre. Então um buraco se abre diante dela e a engole para todo sempre.

• Chegando no trabalho, assim que põe a mão na porta de vidro, esta estoura devido a pressão de sua energia negativa e os estilhaços atingem, principalmente​, seu pescoço perfurando a jugular.


Mas quando ela volta a si, vê que o universo insiste em mantê-la viva. Quantas vezes se imaginou​ atirando-se contra um pesado parabrisas de caminhão? Ela anda pelas ruas enxergando possíveis lugares para a morte. A ponte da cidade é um perigoso e tentador convite. Por isso ela passa bem longe desta.


Todos os dias são assim. Ela se pega tramando em silêncio seu próprio fim. Vive de epifanias. Seus devaneios são tão intensos que ela chega a sentir o cheiro do sangue morno. Parece que é essa a regra.

Sangue, sempre​ há sangue.

Ela precisa descobrir o significado disso.


quinta-feira, 16 de março de 2017

“Mordi, mastiguei, engoli dia após dia, e menti, menti, menti (Quem quer se recuperar? Levei anos para chegar aquele peso. Eu não estava doente; eu estava forte)”


Eu só queria te lembrar daquela sensação de vazio, das borboletas no estômago.

Você já não dá a devida importância a si própria. Está saturada de fracassos e acha que já não tem mais forças para se desvencilhar disto aqui. Porém é ainda mais fraca quando se trata de livrar-se desta condição.

Para em frente ao espelho e sente um nó na garganta. Sabe o que isso significa? É ana te dando um murro de dentro para fora, tentando abrir teus olhos diante do fracasso iminente de ser gorda.

Não adianta! Você nunca vai se conformar.
Nunca.

Essa é sua condição, por algum motivo a ana e a mia te escolheram.

Algum trauma, alguma tendência suicida, alguma deficiência psicológica genética hereditária. Que seja!

Imagine um um bando de cervos em uma floresta. Um deles caiu e quebrou a pata, que dói muito e incomoda, já faz tempo. Todos se alimentam em uma bela clareira, e de repente um grande predador ataca o bando. Todos fogem, mas o animal está faminto e os persegue. Advinha quem a fera consegue alcançar? Sim, o cervo machucado. Este, por sua condição desvantajosa, é a presa mais fácil. E ainda que a dor de sua carne rasgando seja insuportável, o cervo agradece ao​ grande predador, por dar fim a aquele incomodo contínuo a que estivera submetido por tempos arrastados. Desde o início o cervo desejava ser apenas ossos.

Sim, você é o cervo, o predador é ana, e o ferimento é algo que, querendo ou não, te deixou vulnerável para estar na condição de presa.

Note que assim como o pequeno cervo você já quis fugir do feroz predador, negando seu transtorno, tentando ser saudável. Entretanto, este predador não desiste fácil, pois a cada tentativa frustrada de deixá-la você voltava para a Ana cada vez mais determinada. E apesar da dor e da culpa de estar se matando, você anseia por um fim. Por um basta. Assim como o pequeno cervo de nossa história você quer ser apenas ossos.

Observe, seu “ferimento” não é tão horrível aos olhos alheios, e ninguém nunca vai entender o por quê de você ter preferido o dramático fim jamais compreendido a ter pedido ajuda e tratado seu incomodo inicial.

Você preferiu se oferecer ao grande lobo mal e não gritar quando ele deu a primeira mordida.

Você preferiu acabar algo ruim com um mal devastador.

Você sente falta de sentir esperança, se pergunta por quê.

São tantos os “por quê's”

Por que tem que ser assim?
Por que comigo?
Por que eu não consigo?
Por que ninguém me ajuda?
Por que não acaba logo?

Eu não posso te ajudar, não posso sequer te dar um abraço...

Não chore menina, não tema a escuridão.

Não há nada no escuro que não exista no claro.

Respirar ficou difícil de uns tempos para cá. Quando as luzes estão apagadas​ tudo piora. É como se inúmeras mãos te puxassem em direção opostas, agarrando-se ao teu pescoço. A sufocando.

Ah Allissa minha cara... Não existe mais jeito para você. Mesmo indo bem na dieta não consegue sentir-se melhor. A vontade de deixar esta vida persiste, as vezes sem razão aparente. Você simplesmente não quer mais viver. Por qualquer motivo, por motivo algum.

Mas não se preocupe, apenas alimente seu pulmão com ar em quanto pode fazê-lo.

“Multipla falência dos órgãos”

É um bom título para seu último post, e será escrito em vermelho jambo, com o sangue congelado no seu cadavérico corpo cor branco-lilás.

Sorria pequena Allissa... apenas finja que está bem, é tudo que precisam pensar sobre você.